sábado, 14 de dezembro de 2013

DIA TRISTE


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Estou triste. Sinto náuseas e a cabeça não para de girar. Minhas mãos tremulam e sinto um peso no coração. Chego a pensar que vou ter um infarto. Minhas lágrimas desobedecem minha ordem e precipitam-se pela face triste, uma após a outra, até tornarem-se grossas torrentes.
Deito-me para tentar dormir a fim de esquecer minha tristeza. Cubro a cabeça para que ninguém me veja chorar. Na verdade, não estou mais chorando, mas as lágrimas não cessam, como se a mente decidisse por fim àquele drama, mas o coração insistisse em derramar sua angústia.
Fecho os olhos e tento dormir sob o escuro do cobertor. Proíbo-me de pensar em qualquer coisa para que não desatine no choro outra vez. A mente se rebela contra a ordem do meu cérebro, e lá vou eu pensando de novo.
Briguei com meu amor. Ele saiu de casa, magoado e sem me dirigir a palavra. Sei que tive razão de embravecer-me com ele, mas não consigo me perdoar mesmo assim.
Ele saiu cedo e ainda não voltou. É tarde e a negritude já cobriu o horizonte. As portas e janelas das casas se fecharam e ele ainda não chegou ao lar. Eu, ao contrário, não fui a lugar nenhum. Não consigo afastar-me de meu leito de dor. 
Sinto que estou doente. Tudo me dói: A cabeça, a nuca, os braços, os ossos, o coração e a alma. Choro de novo e soluço incontrolavelmente. Viro e reviro-me na cama, mas a dor não passa e o sono não vem. Quero desmaiar de cansaço, como saída para apagar a minha dor. Não consigo desmaiar nem adormeço. Seco os olhos tristes e assuo o nariz que me impede a respiração.
Já se passaram várias horas e a dor continua doendo como no início de minha discussão. Quero sumir! Quero morrer! Quero evaporar! Inútil! Eu e minha dor estamos unidas como unha e carne.
Olho-me no espelho e tento ver minhas qualidades a fim de consolar-me. Sou bonita! Sou feminina! Sou mulher! Sorrio meio sem graça ao ouvir meus pensamentos tentando animar-me. Olho-me nos olhos e não encontro luz. Meus olhos parecem tristes e vazios. De repente, vejo um luzir intenso saltando para a órbita ocular. Minha visão se embaça, e as lágrimas explodem como cachoeira, tomando conta de minha face.
Não posso sorrir, por mais que tente. Não posso pensar positivo, apesar de meus esforços. Tento mentir para o meu coração, mas ele não me dá ouvidos. Olho para mim, mas não me encontro. Tento consolar-me, mas não consigo. Choro outra vez.
Deito-me encurvada como uma criança no ventre materno. Sinto-me desprotegida e solitária.
Ouço o barulho do molho de chaves e, em seguida, passos que atravessam a casa. Fico imóvel com o rosto sob a coberta que me protege do mundo exterior. A porta do quarto se abre, mas ninguém fala nada. Um barulho mudo se faz presente ao redor de minha cama e os passos me são familiar.  “É ele!” - penso fingindo ignorar sua presença. Os passos se afastam  para outro cômodo e meu coração se desespera.
Eu o quero, o desejo, e necessito de sua presença! Mas o orgulho me proíbe de chamar o seu nome. Ele demora-se e eu invento uma desculpa para ir onde ele está. Levanto-me e vou beber água. Passo por ele, mas ninguém se pronuncia.  Ele esquenta um café e eu encho o copo de água. Encontramos-nos no meio da cozinha e cada qual, em silêncio, recua para que o outro passe.
Volto à cama. Ele liga a Tv na sala. Sinto as lágrimas me molharem o rosto já queimado pelas várias tentativas de enxugá-las. Gemo baixinho e aperto os olhos na tentativa de expulsar a última gota. Não quero mais chorar  por causa dele.
Deixo os minutos passarem até que percebo o  óbvio: Não choro por causa dele, mas por minha causa. Não consigo viver sem a sua companhia, pois o mundo sem ele é um enorme borrão cinzento.
Assuo o nariz e engulo o orgulho que me sufoca. Chamo o seu nome com a voz ainda embargada. Ele aparece a minha frente, no quarto. Digo-lhe que estou passando mal e preciso de sua ajuda. Ele se agita e me pergunta o que sinto.
“Nada de mais” - respondo-lhe, fitando-o com os olhos inchados de chorar – “apenas me abrace”.
Ele tem a cara amarrada, mas mesmo assim se deita ao meu lado e põe o braço em cima do meu corpo tenso e faminto de seu amor.
Choro de novo. Ele aperta-me contra o corpo e pergunta, com a voz um pouco travada, se estou sentindo alguma coisa. Penso que me sinto a pessoa mais feliz do mundo, mas digo-lhe apenas que estou bem. Ele cala-se, enquanto eu viro-me e olho para ele.  Dou um sorriso amarelo e, apesar de contragosto, ele me corresponde. Fecho os olhos, aperto-lhe o braço sobre o meu corpo e só então pego no sono.


Leila Castanha
13/12/2013


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